Hoje, a Cestarias Régio e a Badauê relembram uma visita recente ao interior de Pernambuco para honrar a arte e a história de J. Borges, o icônico artista popular brasileiro que retrata com maestria a vida no sertão nordestino através da xilogravura.
Nascido José Borges da Silva em 1935, em Bezerros, Pernambuco, J. Borges é um nome fundamental na arte popular. Celebrado por muitos como o maior Mestre da arte popular brasileira, destacou-se por sua habilidade na xilogravura e por ser capaz de popularizar sua arte, tornando-a democrática. Desde jovem, ele se envolveu profundamente com a rica cultura nordestina, começando sua jornada artística na cidade conhecida por sua tradição em xilogravura.
“A arte popular mais autêntica não é aquela que é estudada em escola, sala de aula, mas vem daqueles artistas que têm uma ideia
e resolvem fazer alguma coisa.”
⎯ J. Borges.
A xilogravura por J. Borges
A técnica de xilogravura, que envolve desenhar e entalhar madeira, criar pinturas detalhadas e realizar impressões precisas, foi utilizada por Borges para capturar a cultura do Sertão. Suas obras, marcadas por cores vivas e blocadas e traços facilmente reconhecíveis, oferecem uma visão ampla das tradições e da vida na região, retratando festas populares, paisagens sertanejas, cenas irreverentes e seres imaginários.
Além de seu imensurável impacto artístico, J. Borges desempenhou um papel crucial na perpetuação do ofício. Ele ministrava oficinas e promovia a xilogravura entre jovens talentos, sempre desejando que sua produção fosse acessível a todos. No coração de seu ateliê, que ele compartilhava com filhos e parentes, floresceu um ambiente repleto de criatividade e admiração, que ajudou a manter seu legado vivo e pulsante.
— J. BORGES — Foi com grande pesar que recebemos nesta manhã a notícia do falecimento do Mestre. Uma janela para o sertão, o pernambucano eternizou com suas obras a riqueza da cultura brasileira e a técnica da xilogravura. Ele transformou madeira em poesia visual, capturando a alma do sertão através de tradições, mitos e a vibrante realidade do cotidiano, sempre com um toque de humor.
Viva J. Borges, para sempre vivo e pulsante no imaginário brasileiro.