Badauê em entrevista exclusiva com os carnavalescos André Rodrigues e Antônio Gonzaga da Portela
Por @alabadaue
A Badauê teve acesso a detalhes emocionantes do desfile da Azul e Branca, que prometem encantar o público na próxima terça-feira, 4 de março. A escola levará para a avenida o Enredo “Cantar Será Buscar O Caminho Que Vai Dar No Sol – Uma homenagem a Milton Nascimento”, uma procissão que parte de Madureira rumo à Três Pontas, para celebrar a obra e o impacto do artista — aqui simbolizado como o Sol.
Os carnavalescos André Rodrigues e Antônio Gonzaga revelam que a ideia do enredo surgiu logo após o desfile de 2024, e ganhou ainda mais força ao se depararem com Milton Nascimento presente no Camarote da Portela.
A escola, o cantor e sua família acolheram o tema com orgulho e entusiasmo. Ao invés de uma abordagem biográfica, o desfile propõe celebrar a forma como as músicas de Milton atravessam os brasileiros e a alma encantadora dos cotidianos.
“É lógico que a vida pessoal de Milton Nascimento desperta curiosidade, todo mundo quer saber e tal, mas, assim, para a gente, como dois carnavalescos, é muito mais importante a forma como a obra de Milton Nascimento atravessa as pessoas. É sobre isso que a gente vai cantar na Avenida.” ⎯ André Rodrigues e Antônio Gonzaga, carnavalescos da Portela.
O desfile será dividido em fases do dia, acompanhando uma jornada de procissão que levará os portelenses de Madureira a Três Pontas, em Minas Gerais, em uma travessia simbólica inspirada na obra de Milton Nascimento.
Cada etapa do desfile representará não apenas a passagem do tempo, mas também as emoções, desafios e transformações vividas ao longo do caminho. Do amanhecer ao entardecer, da noite ao renascimento de um novo dia, a narrativa visual e musical celebrará a trajetória do artista e sua profunda conexão com o Brasil, unindo fé, resistência e poesia em um grande cortejo rumo ao Sol.
1º Setor: Alvorecer
A procissão começa com os portelenses despertando e se preparando para seguir em direção a Milton Nascimento. A grande carruagem puxada por seis cavalos trará elementos icônicos da Portela: a velha guarda, o chão de caquinhos do subúrbio, a espada de São Jorge, além de São Sebastião e Nossa Senhora da Conceição — santos de devoção da Portela.
2º Setor: Sol a Pino
Aqui, chegam pessoas de fora para acompanhar a procissão. Este é um setor de forte carga emocional, um relicário de sentimentos. Destaques incluem as Baianas representando “Maria Maria” e o “Vendedor de Sonhos”. O carro alegórico traz um grande andor com um coração escrito “Acredite na vida”, em referência à música “Estranha mania de ter fé na vida”.
3º Setor: Entardecer
Este setor aborda as identidades que Milton celebra em suas canções, destacando povos originários, ribeirinhos e quilombolas. O setor encerra saudando Oxalá, com uma grande alegoria representando o orixá.
4º Setor: Noite
A chegada da noite representa desafios, dificuldades e repressão, simbolizando os períodos sombrios da história brasileira. É nesse momento que surgem as canções de Milton que ajudaram as pessoas a atravessar esses tempos, como “Milagre dos Peixes”, cuja letra foi censurada e gravada apenas com melodia. A alegoria desse setor representa esse álbum e a canção “Cais”. O setor noturno trará nuvens que, ao longo do desfile, se dissipam para revelar a lua e as estrelas, prenunciando um amanhecer ensolarado.
5º Setor: Manhã do dia seguinte
A procissão chega a Minas Gerais e é recebida com festejos locais. Aparecem lembranças da infância de Milton, folias de reis e os tambores de Minas, encerrando com a grande festa do coração, representada no último carro da Portela: um altar do Sol.
As referências estéticas se baseiam em experiências suburbanas e interioranas. Ao partir de Madureira, as visualidades do bairro são destacadas. Em Minas Gerais, o desfile utilizará materiais e soluções plásticas que remetem ao imaginário local, como o ouro do barroco, fuxicos e fitas, que estarão presentes ao longo de toda a procissão.
Em 2024, o cantor e compositor Milton Nascimento foi indicado ao Grammy Latino na categoria Melhor Álbum de Música Popular Brasileira por seu disco de despedida dos palcos, ”A Última Sessão de Música”. No entanto, a indicação gerou controvérsia quando seu nome foi retirado da lista oficial sem explicações claras por parte da organização do prêmio. O caso levantou debates sobre o reconhecimento da música brasileira em premiações internacionais e repercutiu amplamente entre fãs e artistas.
Diante desse episódio, a homenagem da Portela a Milton Nascimento no Carnaval do Rio de Janeiro ganhou ainda mais significado. Para os carnavalescos André Rodrigues e Antônio Gonzaga, a escolha de Milton como enredo já era um gesto de reconhecimento à sua trajetória, independente de prêmios internacionais.
Também conversamos com Thaise Lima, assessora de comunicação da Portela, sobre o trabalho em parceria com a Badauê nas redes sociais e o papel fundamental do ambiente digital na expansão da experiência do desfile e na aproximação da comunidade com o enredo. Thaise compartilhou insights valiosos sobre as estratégias adotadas, destacando um processo intensivo para conectar Milton à escola e, especialmente, ao samba-enredo, elemento essencial para o sucesso da Portela.
“A escola está trazendo um samba poderoso, com o objetivo de envolver a comunidade nesse movimento. Uma frase central que estamos promovendo é: “Quem Acredita Na Vida Não Deixa De Amar.” Essa frase não apenas sintetiza o espírito do samba, mas também ressoa profundamente com os portelenses, fortalecendo a identidade coletiva. Outro elemento que gerou uma forte identificação foi o girassol, que se tornou um símbolo visual central, sendo amplamente incorporado nos ensaios, nas roupas e nos penteados da nossa comunidade. A equipe da Badauê conseguiu compreender muito bem as nuances do público portelense e adaptar a comunicação de forma eficaz, gerando uma reação positiva e significativa. ” ⎯ Thaise Lima, Assessora de Comunicação da Portela
Ela destacou a habilidade da Badauê ao captar o “tato” necessário para estabelecer uma conexão genuína com a comunidade — crucial para o sucesso da comunicação de uma escola de samba.
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