O seu surgimento exato pode até ser um mistério, mas o fato é que a tão amada cachaça foi a primeira bebida destilada a surgir em toda a América Latina. Em algum lugar do litoral brasileiro, entre os anos de 1516 e 1532, a querida estreou já sendo um sucesso!
A repercussão pelo país foi tanta, que o Império Português até tentou barrar o consumo da aguardente de cana para privilegiar o destilado de Portugal “bagaceira”. Não funcionou e deu tão errado que o nome da bebida portuguesa virou até xingamento no Brasil.
Original do Brasil, esse
ouro é nosso!
Desde 2001, a cachaça brasileira tem sua autenticidade reconhecida por lei. Hoje, para uma bebida ser chamada de cachaça, a aguardente de cana brasileira deve ser produzida exclusivamente no nosso país, seguindo uma série de regras que facilitam que nós continuemos como donos proprietários desse ouro nacional.
A cachaça não tá pra brincadeira.
Entenda as singularidades que compõem essa paixão nacional:
A cachaça é primeiramente dividida entre industrial e de alambique. Sendo a de alambique uma versão artesanal. Dentro dessas duas categorias, existem as versões Ouro e Prata.
Prata: também conhecida como cachaça clássica ou cachaça branca, é a cachaça que não apresenta cor, pois não foi envelhecida em barris de madeira ou o barril de madeira utilizado não gera alterações significativas na cor da bebida. Esse é o tipo mais utilizado para criação de coquetéis. Só lembra que cachaça prata não é água não, tá?
Quer mais uma dose?
Tem a amarelinha também!
Ouro: Esse tipo de cachaça ficou armazenada em um barril de madeira, o que modificou seus sabores e aromas. É a variação mais utilizada para degustação.
Conheça algumas das variações usadas para envelhecer a bebida:
⎯ AMBURANA: Também conhecida como cerejeira, transfere para a bebida um buquê aromático forte e característico, notas frutadas e sabor levemente adocicado.
⎯ CASTANHEIRA: Torna a bebida mais suave, com leve aroma e sabor de castanha.
⎯ CARVALHO EUROPEU: É a madeira mais usada mundialmente no envelhecimento de bebidas, gerando aromas e sabores característicos de amêndoas, nozes, castanhas e madeira tostada.
A cachaça pelo Brasil
A cachaça faz parte da nossa identidade brasileira! Presente em todas as regiões e na maioria das nossas celebrações, ela está na roda de samba, na gastronomia, nos movimentos culturais e no boteco da esquina, é o famoso digestivo depois do PF!
No Norte, a infusão com jambu provoca uma leve dormência na boca e já conquistou fãs em todo o país. No litoral, a caipirinha refresca em dias de sol intenso (acredita que essa aqui já foi remédio pra gripe?). No Sul e Sudeste, com a chegada do frio e festas juninas, a cachaça se junta com especiarias e vinho no quentão para aquecer o corpo.
Pode vir quente que eu estou fervendo!
O quentão, estrela das festas juninas, foi mais uma antropofagia brasileira em que o Vinho Quente europeu se transformou ao encontrar a marvada pinga.
E tem para todos os gostos! No Sudeste, temos o delicioso quentão só com cachaça e especiarias. Já no Sul, encontramos o quentão feito com vinho nacional e com a presença inestimável da cachaça prata. Independentemente da versão, a aguardente de cana garante a quentura no inverno.
Depois dessa, vamos para o Arraial ou o Bar da Cachaça vai ser nosso lar?